A categoria permanece em estado de greve, conforme decisão na assembleia desta terça-feira (13), em frente ao edifício sede dos Correios. Com o resultado do julgamento do plano de saúde, ontem (12), a FENTECT orientou pelo retorno ao trabalho na quarta-feira (14). No entanto, os trabalhadores precisam se preparar a próxima luta, que é a da data base. A campanha salarial começa em breve e novos ataques devem estar por vir.
Embora a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) implique no pagamento de mensalidade no plano, a ECT não foi contemplada plenamente. Os dependentes, filhos e cônjuges continuam tendo direito à assistência médica. Os pais que não estão em tratamento médico vão permanecer por mais um ano no plano de saúde e aqueles que estão em tratamento vão continuar nos mesmos moldes, até a alta médica. Além disso, alguns pontos ainda serão esclarecidos junto à assessoria jurídica da federação.
Os representantes dos trabalhadores também irão recorrer da decisão ao pleno do TST e farão denúncia junto ao Ministério Público, à Organização Internacional do Trabalho (OIT), bem como outros meios que possam defender os direitos da categoria. “Esse julgamento é, no mínimo, questionável. A ECT contratou um advogado parente de um ministro do TST, que custou aos cofres da empresa R$ 2,8 milhões para uma defesa de apenas dez minutos. O tribunal passou por cima da sua jurisprudência quando revisou uma cláusula fruto de acordo coletivo sem a concordância das duas partes. Mas os trabalhadores dos Correios não aceitarão nenhum direito a menos”, exclamou a presidente do sindicato, Amanda Corcino.
Vale relembrar que o nosso plano de saúde foi estabelecido em 1985 como uma compensação à falta de reajustes salariais, quando a empresa afirmou que não tinha condições de oferecer aumentos, mas arcaria com a assistência médica dos trabalhadores. Também, a ECT e a mídia divulgam de maneira enganosa à sociedade não há nenhum custo aos trabalhadores no plano. Mas a coparticipação já existe e agora vai aumentar.
Amanda Corcino ainda destacou a proximidade da campanha salarial, para qual a categoria deve acumular forças, para reverter esses prejuízos. “Tudo vai depender da nossa mobilização. É importante que os trabalhadores tenham consciência disso”, alertou.
A categoria e todos os brasileiros precisam continuar alertas, pois todos esses acontecimentos, nos últimos tempos, na nossa empresa e no país, são frutos da ruptura da democracia. A democracia é a mãe de todos os direitos e quando ela é ferida, são abertos precedentes para que todos os outros direitos sejam desrespeitados. Esse é mais um reflexo do golpe de 2016, como tem sido com a aprovação de reformas nefastas, que prejudicam apenas a classe trabalhadora.

