Brasil precisa de 365 anos de consciência negra e combate ao racismo

O SINTECT/DF celebra o Dia da Consciência Negra com a certeza de que muito ainda deve ser feito pela reparação a um povo afligido por séculos. Nossa sociedade escravagista não se libertou das correntes no dia 13 de maio de 1888 com a abolição, mas manteve os negros do país esquecidos e renegados. Embora os tempos indiquem alguma mudança, é pouca. Juntos, nesta data e em 365 dias do ano, temos a responsabilidade de lutar contra o racismo e o desrespeito a essa parcela da população, que por sinal representa a maioria (55,8%) e a maioria da força de trabalho (54,9%).

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pretos e pardos são maioria, pela primeira vez, nas universidades públicas – 50,3%. No entanto, esse número não é representado em cursos considerados da elite brasileira. A desigualdade social continua marcada pela ausência desses estudantes em Medicina, Engenharia, Odontologia e Direito, por exemplo.

O número de desempregados também é maior entre os negros, segundo o informativo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, divulgado este mês pelo IBGE. Os trabalhadores negros desocupados representam 64,2% e os subutilizados 66,1%. Os informais atingem a marca de 47,3% e nos cargos de gerência são minoria, apenas 29,9%.

Genocídio da população negra

Além da desigualdade social, os negros brasileiros ainda precisam enfrentar diariamente a violência das ruas, que tem gerado mortes – entre 2017 e 2018, 75,4% das pessoas mortas nas intervenções policiais eram negras, como indicam os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “As chances de um jovem negro ser assassinado é 2,7 vezes maior do que a de um jovem branco”, confirma o estudo. Entre as mulheres, 61% das vítimas de feminicídio entre 2017 e 2018 eram negras.

No Rio de Janeiro, por exemplo, a política do governador Witzel é clara: genocida. Para ele, o assassinato de vidas negras é um erro da profissão que pode acontecer em qualquer outra. Há um sistema formado contra a população negra, pobre e periférica. Uma segurança pública que não protege, extermina a qualquer custo, sem qualquer investigação.

Os homicídios no Rio de Janeiro, sob a custódia de Witzel, marcaram 28,6% de todas as mortes por policiais. Em 2017, foram 16,3%. Na capital, 38,3%, e em Niterói 38,7% foram assassinados por policiais. Em todas, famílias pobres arrasadas. Na maioria, jovens negros.

Antirracistas

A luta contra o preconceito deve ser de todas as cores. A defesa antirracista contra movimentos de extermínio da população negra depende do grito da outra parte que está cansada de ver amigos, familiares ou qualquer pessoa sendo morta pela polícia e pela intolerância racial.

O SINTECT/DF aproveita a data de hoje para ressaltar os números e, com isso, alertar o papel da classe trabalhadora nessa linha de frente. Pelos negros funcionários da estatal e por todos aqueles que cercam a categoria, o compromisso é com a liberdade de fato e com uma nova era de igualdades de direitos e paz.

E no dia 30 de novembro, na sede campestre do sindicato, será realizado o Encontro Racial do SINTECT/DF. Em breve serão publicadas mais informações a toda categoria.

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