Seguindo o calendário de lutas da campanha salarial 2016/2017, a Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (Fentect) entregou nesta terça (26) ao presidente da empresa, Guilherme Campos, a pauta de reivindicações aprovada no 33º Conselho de Representantes da (Conrep) e referendada em assembleias de base da categoria. Entre as exigências da categoria estão 15% de reajuste salarial, R$ 300 linear, R$ 400 de vale-cesta e R$ 45 de ticket-alimentação.
Na ocasião, o secretário geral, José Rivaldo, destacou que, a campanha salarial deste ano, além de unificada nacionalmente na categoria e também com outras categorias, como petroleiros e bancários, inicia-se de forma diferente das anteriores. Para ele, esta campanha diferencia-se pelo fato de o trabalhador lutar não apenas por melhores salários e condições de trabalho dignas. Luta, antes de tudo, para manter empregos e direitos conquistados no setor público, que está sendo ameaçado.
Rivaldo ressaltou, ainda, a insatisfação gerada pelas declarações do presidente da empresa, Guilherme Campos, que atribuiu a possível crise instaurada nos Correios aos trabalhadores e reforçou que a categoria continuará lutando pela manutenção da ECT como empresa pública e estatal. “Nós, trabalhadores, temos lutado por esta empresa e não temos culpa. Ao contrário, somos os mais prejudicados e sobrecarregados. O modelo de administração é o grande responsável pela situação que a empresa se encontra hoje.” disse.
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal e Entorno (Sintect-DF), Amanda Corcino, cobrou uma retratação do presidente aos trabalhadores e à população. Para ela, a declaração incitou injusta repulsa de parte da sociedade aos trabalhadores dos Correios, o que provocou, inclusive, agressões, relatadas por alguns carteiros. Amanda reafirmou, o compromisso dos trabalhadores de lutarem por aumento real, por nenhum direito a menos e principalmente pela manutenção dos Correios como empresa pública.
O presidente dos Correios, Guilherme Campos, insistiu em atribuir supostos problemas financeiros da empresa aos custos com mão de obra. Apontou, por exemplo, o plano de saúde como o item de maior gasto para a empresa. Falou ainda que vai colocar a antiga dívida da RTSA (Reserva Técnica de Serviço Anterior) do Postalis (o fundo de pensão dos trabalhadores da ECT) como provisionamento o que vai aumentar ainda mais o déficit apresentado pelos Correios. “Os tempos são outros. Não podemos discutir tomando como base um Brasil que não existe mais”, disse.
O presidente falou de crise, mas omitiu que a empresa aprovou patrocínio milionário para as Olimpíadas, retirando recursos que deveriam ser investidos nos salários e condições de trabalho. Além disso, mais uma vez, falou sobre os altos índices de afastamentos por licença médica dos trabalhadores, e que na sua avaliação uma possível greve poderia acelerar o processo de privatização dos Correios. “É um absurdo querer usar a greve dos trabalhadores como desculpa para por em prática a política entreguista do patrimônio público praticada por esse governo ilegítimo”, afirma Amanda Corcino, presidenta do Sintect/DF.
Os representantes dos trabalhadores aguardam, agora, a convocação da empresa para montarem o calendário de negociação. Mas, diante desse quadro indicado na primeira reunião, a presidente do Sintect-DF, Amanda Corcino, conclama a categoria a aumentar a mobilização e a organização nos locais de trabalho.
“O atual quadro exige muito mais unidade dos trabalhadores. É fundamental nesse momento enfrentar a reestruturação, não aceitar qualquer retirada de direito, exigir a realização de concursos, melhores salários e condições de trabalho. É preciso barrar a privatização dos Correios e de outras estatais, impedir a entrega do patrimônio do povo e o desmonte dos setores públicos e estratégicos para o desenvolvimento do país”, disse ela.

