Neste ano, o 1º de maio é particularmente significativo. É o primeiro desde o golpe contra a presidente Dilma Rousseff, em 2016. Durante os últimos seis anos, a classe trabalhadora sofreu perseguições e retrocessos em seus direitos, com governos que se colocaram ao lado do empresariado e dos poderosos em detrimento dos trabalhadores.
Mas agora, com um novo cenário político, a categoria precisa se reorganizar e buscar novas formas de atuação e protagonismo político. Até por que, embora tenhamos tido êxito em derrotar o Bolsonaro, a extrema-direita permanece, articulada e mobilizada para explorar a classe trabalhadora e enriquecer – mais – ao nosso custo. A ameaça, portanto, não acabou. Aliás, ela continua latente. Exemplo disso foi a instauração da CPI do MST (do deputado Tenente Coronel Zucco, do Republicanos-RS), com amplo apoio de deputados da bancada ruralista. Uma CPI que não possui fato determinado. Ou seja, que deseja criminalizar o maior movimento popular do Brasil atualmente e um dos principais atuantes contra a fome.
O dia do Trabalhador é um momento fundamental para traçar novas estratégias e fomentar o apoio popular para que o presidente Lula possa implementar as pautas necessárias defendidas pela classe trabalhadora. Precisamos nos manter mobilizados para, por exemplo, buscar a revogação da reforma trabalhista (aprovada durante o governo golpista de Michel Temer, do MDB), cuja mudança na legislação reduziu direitos de empregados e estagnou renda do trabalhador, que foi empurrado para empregos informais. Ou para somar ao coro daqueles que percebem a clara sabotagem imposta pelo bolsonarista Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central. Desde agosto de 2022, a Selic se mantém em 13,75%. Esta combinação de juros muito altos e impostos muito altos é profundamente recessiva e impede, deliberadamente, o crescimento da economia.
É preciso corrigir as distorções no sistema tributário brasileiro e garantir que os impostos sejam justos e progressivos. Isso inclui a tributação dos lucros e dividendos, taxação das grandes fortunas, taxação de iates e lanchas, além de uma reforma tributária progressiva e solidária. Em suma, que não onere (mais) as classes mais vulneráveis.
Tais medidas garantiriam recursos para a construção de políticas públicas e investimentos que beneficiem toda a sociedade, especialmente os trabalhadores mais vulneráveis, precisamos também que seja aprovada uma reforma sindical que fortaleça as entidades sindicais e as negociações coletivas.
O nosso XIV CONTECT (Congresso Nacional da Fentect) é uma oportunidade ímpar para a categoria. Será um momento para eleger a nova direção da Federação, de caráter mais atuante, com disposição de encaminhar a luta, com capacidade de unificar e mobilizar a categoria em prol da recuperação dos nossos direitos. É a partir da nossa mobilização que teremos força e gás para corrigir aquilo que a categoria precisa, como, por exemplo, a redução nos custos com plano de saúde, o aumento real de salário e o fim da sobrecarga e demais problemas causados pela implementação de SDs. A nossa pauta de reivindicações exige união e coesão dos trabalhadores e trabalhadoras.
O momento é de mudança e renovação, mas é preciso estar atento e lutar pelos direitos do povo. Nos unimos pela nossas causas, nos unimos pelas causas de companheiros e companheiras de outras categorias. Juntos, continuaremos lutando pelo Brasil.
Neste 1º de maio, não nos esqueçamos: Trabalhadores do mundo, uni-vos, vós não tendes nada a perder a não ser vossos grilhões!

