Representantes de 10 centrais sindicais se reuniam com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Luiz Marinho (Trabalho e Emprego). O encontro teve como objetivo principal anunciar a constituição de Mesa Nacional para debater a valorização do salário mínimo, a regulação do trabalho em aplicativos e a valorização da negociação coletiva. O Sintect-DF esteve presente no evento, que aconteceu nesta quarta-feira (18), no Palácio do Planalto.
Uma das pautas principais foi sobre o salário mínimo. “O debate do salário mínimo não pode ser pautado pelo deus mercado”, afirmou o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo. Já o presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Moacyr Roberto Tesch Auersvald, pediu que o governo petista promova o reajuste da tabela do Imposto de Renda (IR) com a “desoneração dos mais humildes”.
O presidente Lula assinou despacho para que o governo federal elabore a proposta que visa instituir a política de valorização do salário mínimo. O grupo de trabalho tem 45 dias para entregar uma proposta e o prazo pode ser prorrogado por igual período.
O presidente da CUT, Sérgio Nobre, enalteceu a importância da retomada do Ministério do Trabalho, sob gestão de Luiz Marinho. Em discurso de abertura, Nobre pediu para que o Trabalho tenha centralidade na estratégia de desenvolvimento do País. “Sabemos que os empregos de qualidade que a gente tanto sonha e precisa eles não vão ser consequência só da política econômica”, declarou, pedindo que o Trabalho atue em colaboração com outras Pastas.
Outra pauta de relevância foi a regulação do trabalho em aplicativos. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz marinho, abordou as dificuldades sofridas pelos trabalhadores de aplicativos e a necessidade de se corrigir essa distorção, que “beira o regime escravo, dando garantia de direitos mínimos para a proteção destes trabalhadores”, afirmou o ministro.
Em seu discurso, Lula disse que o movimento sindical se reinventou e mudou nas últimas décadas, bem como o mundo do trabalho. Diante disso, criticou a precarização do trabalho pelas plataformas de aplicativo. “Eles não são microempreendedores”, ressaltou, e lembrou que estes trabalhadores não têm amparo legal quando se machucam ou ficam doentes.
O reajuste da tabela do Imposto de Renda (IR) também recebeu destaque durante o encontro. A desoneração dos mais humildes e a taxação de grandes fortunas foram mencionadas. O presidente Lula afirmou o compromisso com a proposta e disse que deve-se “mudar a lógica. Diminuir [o imposto] para o pobre e aumentar para o rico”, afirmou, sob aplausos.
A reunião com sindicalistas também marcou o retorno da categoria ao Palácio do Planalto. Desde as gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro, a interlocução foi reduzida ao máximo. O retorno da categoria ao Planalto é a retomada do protagonismo da classe trabalhadora.


