A presidenta do SINTECT/DF, Amanda Corcino, esteve representando a CUT nacional na audiência pública da Câmara dos Deputados, esta semana, na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, para o debate sobre as demissões de funcionários dos Correios e o fechamento de agências da ECT. Participaram também representantes da FENTECT e de outras entidades da categoria. O convite foi realizado pelos parlamentares Leonardo Monteiro (PT-MG) e Glauber Braga (PSOL-RJ).
“A empresa vem passando nos últimos anos por um processo de sucateamento. O último concurso foi realizado em 2011, agora há um estudo para fechar 513 agências, podendo acarretar na demissão de 5,3 mil, o que meche com 20 mil vidas. Isso representa um grande impacto também para toda a população”, afirmou.
O problema, segundo Amanda, está na visão da gestão da empresa que foca somente na lucratividade, enquanto os Correios têm papel fundamentalmente social e de integração. “Onde há uma agência dos Correios, a população acessa variados serviços. Mas, se fecharem as agências, será preciso buscar os grandes centros”, ressaltou a presidenta do sindicato.
A representação do SINTECT/DF falou sobre a denúncia já realizada no Ministério Público e a falta de garantias da empresa, durante a primeira audiência, em relação aos empregos. O presidente dos Correios, Carlos Fortner, chegou a confirmar em outra audiência pública que os trabalhadores não serão mandados embora em 2018 por ser ano eleitoral, mas não garantiu nada para o próximo ano. Além disso, de acordo com a empresa, se o estudo for concretizado, esses ecetistas podem ser realocados, mas, segundo Amanda Corcino, grande parte dos trabalhadores de agências eram carteiros e foram reabilitados por aquisição de doenças ocupacionais. “Temos agências, inclusive, todas compostas por esses trabalhadores. Eles não podem voltar a ser carteiros e o cargo de OTT foi extinto. O que vai acontecer com esses empregados?”, perguntou.
Demissão incentivada pela empresa
Na ocasião, houve uma discussão também em torno dos Planos de Demissão Incentivada que a empresa tem lançado para reduzir ainda mais o quadro de funcionários. Durante a audiência, o representante da ECT chegou a dizer que um novo plano será feito como demanda dos
próprios trabalhadores. No entanto, parece uma estratégia para novamente culpabilizar a categoria pelo sucateamento que tem sido promovido pela gestão política da estatal.
Amanda denunciou a precarização na prestação de serviços e a redução no quadro de funcionário em 20 mil trabalhadores nos últimos anos. Muitos dos ecetistas que pediram para sair da empresa, o fizeram pelo terrorismo praticado pela ECT, como antecipação ao futuro tenebroso pregado pela própria direção da estatal. O número cada vez menor de empregados prejudica o atendimento e a distribuição.
Para a presidente do SINTECT/DF é ainda importante alertar a população e lutar contra a Distribuição Domiciliária Alternada (DDA). Com a implantação desse sistema nas unidades, como já tem acontecido por todo o Brasil, as entregas não serão mais diárias aos cidadãos e haverá uma redução de 25% a 30% no número de carteiros.
“Vamos continuar a acompanhar todas essas situações enquanto centrais sindicais e sindicato. Se existe um projeto de fidelização que pode dobrar a receita e novos serviços nos Correios, a empresa não pode abrir mão dos seus funcionários. As entregas porta a porta não são feitas por robôs ou máquinas. Entendemos que a rentabilidade dos Correios passa pela qualidade dos serviços, e essa qualidade virá somente com concurso público e contratação.
Conforme destaque da representante da CUT Nacional, a ECT não se preparou para encarar o mercado de encomendas, que cresce ano a ano, e tem desprezado o monopólio, que ainda representa quase 50% da empresa. “Não podemos deixar que a política de desprezar as empresas públicas e privatizá-las crie o falso sentimento na população de melhoria. Independente das eleições deste ano, vamos continuar brigando com a ECT por uma empresa de Correios pública e de qualidade para a população e seus funcionários”, finalizou Amanda Corcino.

