O Sintect-DF, em conjunto com a Fentect, manifesta sua total oposição à implementação unilateral da jornada de trabalho 12×36 na área de distribuição e para carteiros motorizados – Leia o Informe no final do Comunicado.
A mudança foi formalizada pela direção dos Correios por meio da Circular nº 64030578/2026, sem qualquer debate com o movimento sindical. A proposta, que prevê 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso, foi apresentada durante negociações coletivas e rechaçada pelos dirigentes sindicais, mas agora a empresa tente impô-la de forma arbitrária.
Riscos à saúde e à segurança
A nova jornada representa grave risco à saúde dos trabalhadores. Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que longas jornadas estão associadas a cerca de um terço das doenças relacionadas ao trabalho. Para os carteiros que atuam em atividades motorizadas, a exposição contínua ao trânsito aumenta significativamente a probabilidade de acidentes.
A medida também fere o artigo 7º, inciso XIII, da Constituição Federal, que estabelece a duração do trabalho normalmente não superior a oito horas diárias.
Redução indireta de remuneração
Além dos impactos à saúde, a mudança implicará redução indireta dos rendimentos. O auxílio-alimentação, pago por dia trabalhado, será reduzido, uma vez que o trabalhador passará a atuar em média três a quatro vezes por semana, em vez de cinco ou seis dias.
A jornada 12×36 também descaracteriza o pagamento de horas extras, adicional noturno e o adicional de 15% sobre o salário-base concedido aos empregados da área operacional com jornada de 44 horas semanais que trabalham nos fins de semana — uma conquista histórica da categoria.
Orientação e resistência
A Fentect e o Sintect-DF orientam os trabalhadores e trabalhadoras a não aceitarem a imposição da jornada 12×36. A federação já anunciou que adotará as medidas judiciais cabíveis contra a alteração unilateral e reforça a importância de os empregados recusarem a mudança e denunciarem qualquer tipo de pressão ou ameaça por parte da gestão.
“É necessário resistir a essa política de precarização que busca solucionar a crise financeira dos Correios com aumento da exploração e retirada de direitos”, destaca a presidenta do Sintect-DF, Amanda Corcino.
Reafirmamos nosso compromisso na luta em defesa da saúde e dos direitos da categoria. Não aceitaremos imposições às custas dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios.

