Herança maldita do governo Bolsonaro

Em entrevista ao Valor Econômico, o novo presidente dos Correios, Fabiano Silva afirmou que o balanço referente a 2022, que será divulgado, registra um resultado líquido negativo de R$ 809 milhões. Essa nova informação contrasta com as declarações dadas pela antiga gestão.

Segundo o novo presidente esse prejuízo deve-se a um provisionamento de R$ 1 bilhão referente a processos judiciais que vinham sendo contabilizados de forma equivocada, na qual algumas ações judiciais não consideravam o risco de desfecho desfavorável na Justiça, mesmo sendo prováveis.

Sabemos que os Correios tem muitos passivos trabalhistas, pois a empresa é uma das campeãs em descumprir a legislação trabalhista.

Também é conhecido por todos que o lucro apresentado no governo anterior foi construído custas da retirada dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores; da exclusão de 50 cláusulas do ACTs; da implantação de mensalidades aumentando consideravelmente o valor de contribuição por parte dos funcionários no plano de saúde; da retirada dos pais do plano e das milhares de demissões através do Programa de Demissão Voluntária (PDV), que contribuíram diretamente com a precarização dos serviços prestados pelos Correios.

A degradação dos Correios e a perseguição aos seus trabalhadores foram caminhos escolhidos em direção ao principal objetivo dos ex-presidentes Bolsonaro e Peixoto: a fracassada privatização dos Correios. O Projeto de Lei 591/21, que autoriza a exploração pela iniciativa privada de todos os serviços postais, foi apresentado pelo Executivo, mas está parado no Congresso e já foi descartado neste novo governo; um dos primeiros atos de gestão do presidente Lula foi retirar os Correios da lista de privatizações.

Porém, apesar de fracassada, a tentativa causou danos consideráveis. Ainda de acordo com o presidente Fabiano Silva, a sinalização do governo Bolsonaro de que os Correios seriam privatizados levou à paralisação de negociações estratégicas, além da falta de investimentos.

Essa e outras questões foram levantada pelo Sintect/DF em reunião realizada com o coordenador do GT de comunicação Paulo Bernardo. Onde foi entregue um relatório com vários pontos a serem levantados pelo GT que mostraria “a sujeira em baixo do tapete” escondida pelo general.

SAIBA MAIS. ACESSE:
>>  Diretores da CUT se reúnem com o GT de comunicação
> Diagnostico dos Correios com Transparência (abre numa nova aba)”> >> Diagnostico dos Correios com Transparência

“Achei importante essa transparência que o novo presidente trás, é importante que os trabalhadores tenham informações sobre a situação financeira da empresa. Já desconfiávamos da ‘maquiagem’ por trás dos números fabulosos apresentados pela antiga gestão. Porém, queremos ressaltar que a principal finalidade de uma empresa pública é servir à população, é o papel social que ela exerce, o lucro é secundário. Acreditamos que a tarefa do governo e da nova gestão é recuperar a empresa através de novos negócios, e investimentos, também se faz necessário a realização de concurso público para a contratação de mais funcionários a fim de recuperarmos a qualidade dos serviços ofertados. Estamos juntos com o presidente Lula na reconstrução do Brasil e dos Correios, fazendo nossa parte diariamente, trabalhando com eficiência e dedicação, apesar da sobrecarga de trabalho gerada pelos DDAs e os SDs”, afirmou Amanda Corcino, presidente Sintect/DF, diretora da Fentect e da CUT.

Nesse momento é fundamental estarmos mobilizados e unidos em defesa da reconstrução dos Correios, e da recuperação dos nossos direitos, especialmente neste período em que vamos iniciar a campanha salarial. Afinal, qualquer desenvolvimento passa necessariamente pela valorização dos trabalhadores e trabalhadoras que movem esta grande empresa. A nossa categoria foi duramente saqueada durante a última gestão, mas através da luta e da união, derrotamos o capitão e seu general. Agora acreditamos que através do diálogo que foi retomado somado a mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras reconquistaremos todos nossos direitos retirados nos últimos anos.

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