A eleição do presidente Lula foi uma grande vitória de toda a classe trabalhadora. Mas, particularmente para nós, trabalhadores dos Correios, teve um efeito prático: a suspensão do processo de privatização, promessa de campanha cumprida no primeiro dia de governo, e o retorno do “diálogo” entre a empresa e os sindicatos, visando dirimir as mazelas e injustiças acumuladas durante os últimos anos.
Os avanços nas relações sindicais com o governo e a empresa representam apenas o início de um processo árduo de luta para reconquistar perdas recentes, mas isso não é tudo. Existe outro desafio a ser vencido: “desfazer” as atrocidades cometidas pela gestão bolsonarista contra a estrutura da empresa, principalmente contra a área operacional.
São verdadeiras bizarrices cometidas com o único propósito de precarizar as atividades, sucateando a empresa para poder privatizá-la. Afastada a ameaça de privatização, resta-nos denunciar e lutar contra o que foi implantado para promover esse processo. Um dos casos foi o SD e SDE implantados às pressas no CDD Lago Sul. A antiga gestão fez muita pressão e os implantou, em 1º de novembro de 2022, ou seja, após as eleições presidenciais e mesmo perdendo o projeto privatista. Estamos vendo o desmonte de locais e postos de trabalho.
No caso do CDD Lago Sul, que, sem dúvida, pelos clientes que atende, é um dos mais importantes do país, com várias sedes nacionais de escritórios de advocacia, consulados, embaixadas e residências oficiais, foi transformado numa perigosa “bomba-relógio”, prestes a explodir: acabaram com sete distritos, retiraram oito veículos da unidade e extinguiram as portarias de motorizado de sete trabalhadores, que agora são “reservas”. Na primeira tentativa de implantar esse projeto falido, houve um acúmulo tão grande de serviço e reclamações que precisaram fazer uma “força-tarefa” com gestores de todas as áreas para entregar o serviço que acumulou. Depois disso, viram que o “caldo iria entornar” e trataram de “remediar a unidade”, emprestando carros reservas (para substituir os que foram retirados), mantendo os carteiros que perderam função e arrumando portarias provisórias para não explodir novamente o acúmulo de encomendas.
O CDD Lago Sul é um dos exemplos claros da herança maldita deixada pela gestão bolsonarista. A unidade de referência nacional, que já venceu várias vezes o concurso de CDD nota 10 e já foi eleito o “melhor CDD do Brasil”, hoje vive uma realidade de queda nos índices de qualidade da unidade, insegurança e incerteza para trabalhadores pelo risco eminente do caos a qualquer momento, caso o recurso alocado de maneira provisória para a unidade seja retirado.
O Sintect-DF acompanha de perto e com muita apreensão tudo isso. Não podemos tolerar o fim de distritos ao mesmo tempo em que se acumulam objetos por falta de tempo para entrega. Os trabalhadores estão mobilizados e preparados para agir, como em legitima defesa, mobilizado contra a sobrecarga de trabalho e o sucateamento, que interfere na qualidade do serviço prestado.
Somos resistência e queremos reconstruir! Precisamos de uma empresa forte, que ofereça um serviço público de qualidade para a população e que garanta dignidade aos seus trabalhadores. Vamos lutar incansavelmente contra as tentativas de privatização e desmonte da empresa.
Além disso, é fundamental que a nova gestão da empresa, liderada pelo presidente Lula, invista em melhorias e modernização, garantindo a segurança e saúde dos trabalhadores, além de condições adequadas para o desenvolvimento das atividades.
O Sintect-DF permanecerá atento e vigilante, denunciando todas as irregularidades e injustiças cometidas contra a categoria e lutando sempre pela garantia dos direitos dos trabalhadores. Juntos, podemos reconstruir a nossa empresa e garantir um futuro digno para todos nós.

