Representantes de diversas categorias da área federal e de estatais pensam estratégias para conter as decisões do presidente interino
Mais anos trabalhando até poder se aposentar; salários congelados na aposentadoria; direitos reduzidos; dificuldades no acesso aos programas habitacionais, com aumento dos juros de financiamento; desemprego desenfreado; falta de acesso ao ensino superior, entre outras consequências negativas. A sociedade e os trabalhadores vão pagar o pato. Essas são as promessas do governo do presidente interino, Michel Temer, que mal tomou posse e já construiu o projeto chamado “Ponte para o Futuro”, que mais parece uma “ponte para o regresso”.
Os trabalhadores do setor público não estão de braços cruzados frente a esse processo. Este mês, no dia 19, a FENTECT, representada pela diretora e presidenta do Sintect-DF, Amanda Corcino, se uniu à classe trabalhadora, com representantes dos setores públicos federais e das estatais, em Brasília, para planejar e aprovar medidas que possam barrar a retirada de direitos e o retrocesso prometido pela nova presidência. São atividades que, de acordo com a CUT Brasília, “no mínimo, embarreiram as ações do interino e seus apoiadores e caminham no sentido de preparar as bases para uma greve geral.”
Essa mobilização, além de uma marcha nacional na capital federal, conforme manifesto resultante da reunião, poderão ser realizadas ainda neste semestre, porém, vai depender do trabalho nas bases. A federação, como representante oficial dos trabalhadores dos Correios, apoia e se mantém incansável no serviço de conscientização e organização para que todos façam parte do movimento.
Outra resolução alcançada com o encontro da classe foi a proposta de ampliação do alcance da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos da Classe Trabalhadora, instalada no dia 18 de maio, bem como a realização do Encontro Nacional da Cultura e o fortalecimento da comunicação sindical.
Participação ativa
Os Correios já estão na lista da “Ponte”. A partir do início dessa governança, foi anunciada a abertura de 49% do capital da estatal para empresas privadas. Diretora da FENTECT e presidenta do Sintect-DF, Amanda Corcino falou no encontro sobre a reação dos trabalhadores da ECT em relação às novidades e contou que muitos estão atentos à realidade “de um governo reacionário e neoliberal, bancado pelo empresariado e pela ala patronal.”
Ela ressalta que a privatização traz no bojo a demissão em massa, o aumento da terceirização, a retirada de direitos e a precarização das condições de trabalho. “Traz apenas insegurança para os trabalhadores. Agora, a gente tem que lutar para manter a empresa pública e nossos empregos. Temer está mostrando para o que veio e a serviço de quem”, destacou.
De acordo com o dirigente da CUT Nacional, Pedro Armengo, com a insegurança instalada, causando a vulnerabilidade dos direitos trabalhistas, dos programas sociais, o próprio Estado, o desenvolvimento do Brasil e a relação Brasil-comércio exterior, cabe aos interessados lutar pela permanência dos empregos e a queda da “Ponte”.

