Ontem (14), o 34º Conrep recebeu os convidados Igor Venceslau, pesquisador, e o economista do DIEESE, Tiago Oliveira, para falarem sobre a logística dos Correios no Brasil e o risco da privatização, também sobre a realidade econômica do país, respectivamente. Também a assessoria jurídica da FENTECT expôs a visão sobre as consequências da reforma trabalhista.
O pesquisador Venceslau destacou o risco de privatizar a ECT. “É retrocesso”, afirmou. Tornar a estatal uma empresa corporativa pode inviabilizar a segurança para os próprios clientes, ainda, impedir que muitos cidadãos brasileiros tenham garantido o direito constitucional à comunicação, já que somente os Correios chegam a mais de 5 mil municípios brasileiros.
O golpe e a queda
A partir do impeachment, o Brasil tem números em queda. “Comemorar a inflação baixa, com recessão brutal, não é inteligente”, destacou o economista do DIEESE. Tiago detalhou os números do desemprego, que registra taxa de 13,13% (6% em 2014), com 14 milhões de desempregados. Além disso, a dívida pública marcou 72,5% este ano. “Inimaginável um país declarar corte de gastos por 20 anos”, ressaltou Oliveira a respeito das perdas para o Brasil.
O economista informou que, de 2004 a 2014, apenas 2,3% das categorias ficaram com reajustes abaixo da inflação nas negociações coletivas. Já a partir de 2015, apenas 18,9% conquistaram ganhos acima do índice.
Injustiça
Nas explanações do assessor jurídico da FENTECT, Alexandre Lindoso, sobre a reforma trabalhista, foram detalhados quatro eixos:
– Extinção de direitos
– Precarização das condições de trabalho
– Ataque direto e frontal aos sindicatos
– Dificultar o ingresso dos trabalhadores na defesa dos direitos no judiciário
O texto entra em vigor após 120 dias da publicação, por isso, o advogado explicou que a campanha salarial dos ecetistas este ano, em um primeiro momento, pode não ser atingida pela reforma. No entanto, é preciso atenção e alerta às estratégias da ECT, que pode apresentar mudanças já com foco na contrarreforma.
“O SINTECT-DF está constantemente alerta em relação às decisões da ECT. Como representantes da categoria na campanha salarial, não vamos aceitar qualquer retirada de direitos, seja com base ou não na reforma. Junto aos demais sindicatos, vamos lutar para que a empresa respeite a pauta de reivindicação dos trabalhadores e tenhamos um acordo coletivo mais favorável para todos”, garantiu a presidenta do sindicato, Amanda Corcino.
Foto: Heitor Lopes/FENTECT

