Em assembleia geral, realizada nesta quarta (26), os trabalhadores dos Correios deliberaram Greve Nacional por tempo indeterminado, a partir das 20h. A decisão pela paralisação das atividades foi tomada devido às inúmeras medidas tomadas pela direção da empresa que atacam intensamente a categoria e fragilizam ainda mais as relações de trabalho.
Os trabalhadores deliberaram, também, realizações de atividades para denunciar o sucateamento dos Correios. Nesta quinta (27), a categoria estará presente em frente ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a partir das 9h30, para exigir recuo do ministro, Gilberto Kassab, quanto às ameaças de demissões e de privatização. Em seguida, seguirá à Rodoviária do Plano Piloto para panfletagem de uma carta aberta para alertar a população sobre os projetos que estão sendo implementados pela direção dos Correios que precarizam a prestação dos serviços.
Como parte da entrega do patrimônio público à iniciativa privada, a direção dos Correios pretende fechar mais de duas mil agências. O número de funcionários está cada vez menor, sobrecarregando excessivamente o trabalhador em exercício, sem contar a ameaça de demissões de mais de 25 mil funcionários. Como se não bastasse todos os ataques, a empresa suspendeu a concessão de férias até maio do próximo ano.
A empresa fala em prejuízo e quer jogar a culpa da crise nos funcionários. No entanto, a situação de dificuldades pela qual os Correios passam é fruto de má gestão. Nos últimos anos, repassaram R$ 6 bi para o Governo Federal, sem contar os gastos exorbitantes com patrocínios e propagandas.
Segundo o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo, que esteve presente na assembleia, é fundamental que haja mobilização forte da categoria para que a empresa recue os ataques.
A deputada, Erika kokay (PT/DF), também esteve no ato e fez um apanhado dos retrocessos impostos à classe trabalhadora no âmbito nacional. Para ela, a reforma trabalhista limita os direitos conquistados pelos trabalhadores com muita luta e resistência. Quanto às medidas impostas aos funcionários dos Correios, Erika destacou que trata-se da entrega da empresa ao capital privado.
“Todas essas ações são uma adaptação para que a empresa seja privatizada. São os trabalhadores dos Correios que carregam a bandeira brasileira nos ombros. Toda essa qualidade nos serviços prestados é fruto da dedicação de cada servidor que tem se dedicado todos os dias para manter essa excelência. Vamos nos colocar de pé para defender os Correios, patrimônio de grande valor para o país”, ressaltou.
A categoria de Brasília foi a primeira a deflagrar greve, seguida por outros estados.

