A Comissão Partidária de Saúde se reuniu novamente com representantes dos Correios na segunda (28) para debater melhorias no plano de saúde dos trabalhadores e deixou clara sua posição: o Plano de Saúde é uma grande conquista para a categoria e será defendido pelos trabalhadores e sindicatos.
Para tentar inserir a cobrança de mensalidade, empresa tenta, por meio de um discurso astucioso, confundir os trabalhadores trazendo para discussão formas de custeio de outros planos de saúde, comparando ao da categoria. No entanto, não leva em conta a média ou piso salarial dessas classes, que são bem superiores aos dos empregados dos Correios. Planos como a CASSI (Banco do Brasil) ou a GEAP (Servidores Federais), por exemplo, são cobradas mensalidades, mas a média salarial varia entre R$ 5.000,00 e R$ 9.000,00.
O salário nos Correios é o mais baixo entre as estatais brasileiras e benefícios como ticket alimentação e plano de saúde são como compensação. Considerando que todo o capital dos Correios é produzido pelos trabalhadores, um plano de saúde decente, nada mais é, que a devolução justa dessa riqueza. Outro ponto a ser destacado é o valor médio investido na saúde do ecetista, bem menor do que os dos exemplos citados pela ECT, mesmo com toda verba gasta na criação da Postal Saúde.
Portanto, a cobrança de mensalidade dos trabalhadores trata-se, na verdade, de corte de salários e responsabilização dos empregados pela crise causada pela má gestão da empresa. Quanto mais dinheiro sai do bolso da categoria, mais sobra para alimentar os altos salários e a criação de demais funções de confiança, que servem somente para saciar o desejo partidário dos grupos políticos que administram os Correios.
Milhões e bilhões
As últimas medidas adotadas pela diretoria dos Correios contradizem o discurso deficitário. A categoria, por todo o país, tem questionado o repasse à União de quase R$ 4 bilhões das reservas financeiras, além do lucro obtido pelos Correios, fruto da dedicação dos trabalhadores.
Há, também, o caso do distrato com o Banco Brasil sobre a parceira do Banco Postal, que criou enorme prejuízo financeiro, resultando na devolução de mais de R$ 2 bilhões ao BB. Vale relembrar, também, a criação da CorreiosPar, em torno de R$ 300 milhões.
Nas Olimpíadas, o patrocínio girou em cerca de R$ 300 milhões, com um evento de alto nível de excelência. Quase toda a logística foi terceirizada e paga pela ECT. Já com a criação e transição da Postal saúde, foram gastos mais de R$ 1,4 bilhão, três vezes mais que o valor gasto com o plano anterior. Enquanto isso, a propaganda dos Correios falava em redução de custos.
O presidente da ECT custa mais de R$ 46 mil mensais aos Correios e os vice-presidentes, mais de R$ 40 mil mensais. Salários acima do teto máximo constitucional (salário do Presidente da República como base).
Outro destaque é a contratação de consultoria sem licitação para prestar serviços e tratar da reestruturação dos Correios. Um custo acima de R$ 29 de milhões, quando para a consultoria anterior foram pagos apenas cerca R$ 3 milhões. Uma diferença de R$ 26 milhões, em dois anos.
Portanto, debater a alteração da forma de custeio do plano de saúde é inaceitável. A culpa não pode ser jogada no trabalhador, que somente agora está sendo chamado ao sacrifício. É preciso que os trabalhadores se mobilizem e não aceitem qualquer tipo de cobrança.Essa conta não é nossa!

