Sintect-DF participa de ato contra a taxa de juros do BC

O Sintect-DF participou do ato “Menos juros e mais empregos. Não à autonomia do BC!”, em protesto contra a taxa básica de juros mantida pelo Banco Central. O ato, organizado pela CUT e demais centrais sindicais, movimentos populares e partidos políticos, ocorreu em frente ao prédio do Banco Central, em Brasília, nesta terça-feira (14).

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13,75% ao ano – sob o argumento que o governo Lula trazia incertezas. “A conjuntura, particularmente incerta no âmbito fiscal e com expectativas de inflação se distanciando da meta em horizontes mais longos, demanda maior atenção na condução da política monetária”, diz o texto que justifica a alta. Embora a justificativa do Copom para manter, pela 5ª vez, a taxa tão alta seja a contenção da inflação, vale lembrar que este aumento é altamente positivo para os bancos, que obtém maio spread em operações de crédito (spread é a diferença entre a taxa que o banco paga para pegar dinheiro emprestado e a taxa que ele cobra para emprestar esse dinheiro).  E com o aumento dos lucros dos bancos, suas ações tendem a se valorizar, o que é positivo seus acionistas, que terão valorização do patrimônio e receberão dividendos maiores.

Este valor coloca o Brasil como líder do ranking mundial de juros reais, de acordo com levantamento feito pela Infinity Asset Management, que inclui 156 países. Descontada a inflação esperada para os próximos 12 meses, de 5,75%, os juros reais ficaram em 7,38%, colocando o Brasil no topo da lista, acima de países como México, Chile, Colômbia e Hong Kong. Além disso, o Copom avisou, ainda, que não hesitará em retomar o ciclo de alta caso o processo de desinflação não ocorra como esperado.

O ato “Menos juros e mais empregos. Não à autonomia do BC!” se posiciona contra esta política monetária do Banco Central, que, ao manter a taxa Selic em patamares elevados, prejudica a economia brasileira. Afinal, a alta de juros é um obstáculo para o crescimento econômico e para a retomada do consumo no país, já que dificulta o acesso a crédito e encarece os financiamentos, prejudicando principalmente as camadas mais vulneráveis da população. Além disso, a política do Banco Central também prejudica o desenvolvimento de novos empreendimentos e inviabiliza a criação de empregos, o que é preocupante em um momento de crise econômica.

É fundamental que se discuta alternativas à política de juros altos no Brasil, que possam estimular o consumo e o crescimento econômico, sem prejudicar as camadas mais vulneráveis da população.

Em entrevista dada do Globo, a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Rita Serrano, afirma que “a Caixa, por ser um banco social, tem que investir em crédito, a gente vem tendo restrições em algumas operações porque precisa orçamento para isso. A taxa de juros muito alta penaliza mais a Caixa e os clientes”.

O comentário de Maria Serrano segue a linha dos comentários do presidente Lula, acerca da taxa de juros. De acordo o presidente, “não existe nenhuma justificativa para a taxa de juros a 13,5% (sic), é só ver a carta do Copom para ver a vergonha que é esse aumento de juros e a explicação que deram para sociedade brasileira. O problema não é a independência do Banco Central, é que esse país tem uma cultura de viver com o juro alto que não combina com a necessidade de crescimento que temos”, afirmou o presidente durante a posse de Aloizio Mercadante na presidência do BNDES, no dia 6 de fevereiro.

Outro tópico do Ato “Menos juros e Mais emprego” foi acerca do atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, que fez campanha para o governo Bolsonaro e estava em grupos de WhatsApp dos ministros do ex-presidente, e a autonomia do BC. Indicado por Bolsonaro, Campos Neto representa um Banco central autônomo da sociedade, porém dependente do mercado financeiro. Ao longo do ato foi destacado que o Banco Central tem o dever de priorizar a geração de empregos em vez dos interesses dos rentistas do mercado financeiro e de especuladores. Isso porque altas taxas de juros podem desacelerar a atividade econômica e desencorajar investimentos produtivos, resultando em menor oferta de emprego e renda.

Ao participar do ato, o Sintect-DF corrobora e enfatiza a necessidade de se criar políticas monetárias que possam garantir o crescimento econômico e o desenvolvimento do país, sem prejudicar as camadas mais vulneráveis da sociedade, além de ressaltar a importância da participação da sociedade civil na construção de uma economia mais justa.

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