Relatório entregue à equipe de transição valoriza a estatal e pede o fim da privatização dos Correios

Nesta quarta-feira (23), a direção da Fentect entregou o relatório construído pela Frente Parlamentar em Defesa dos Correios ao Paulo Bernardo, ex-ministro e um dos coordenadores da área de comunicação do governo de transição. A entrega foi realizada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, palco da equipe de transição do governo eleito. Amanda Corcino, presidenta do Sintect-DF e secretária da Mulher da Fentect, esteve presente na reunião.

O relatório, elaborado a partir da audiência pública realizada na terça-feira (22), tem como lastro um projeto de desenvolvimento que assegure o crescimento econômico e a distribuição de renda e inclusão social. Além disso, a carta também apresenta pontos importantes para o fortalecimento da estatal. Destacam-se itens como a fidelização de serviços postais, o crescimento na disputa do mercado de logística, a retomada do Banco Postal, o diálogo permanente da empresa com os representantes dos trabalhadores, a retomada dos concursos públicos e, o mais importante, o fim imediato da venda de patrimônios dos Correios.

De acordo com Amanda Corcino, presidenta do Sintect-DF, o documento entregue à equipe de transição contém “propostas para os Correios que melhorem a receita da empresa, guiadas pela visão de negócio, mas também destaca e valoriza a questão social. A ideia é que possamos intensificar os programas que dão retorno social à população”. E cita ainda a necessidade de expor à população a dimensão, a complexidade e a importância do trabalho dos Correios: “precisamos mostrar à população como os Correios realizam a distribuição nacional de livros didáticos, o sucesso do Enem, a distribuição de medicamentos. Os Correios são responsáveis pela entrega de remédio pra 33 milhões de brasileiros e brasileiras”.

O coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Correios, deputado Leonardo Monteiro (PT-MG) sugeriu que representantes dos Correios componham o GT de comunicação na equipe de transição. A ideia é fortalecer o diálogo e a pautas necessárias para o desenvolvimento dos Correios e a valorização da categoria, tão atacada durante a gestão de Bolsonaro.

“O trabalhador e a trabalhadora dos Correis quer, precisa de valorização. Temos que discutir a revogação da CGPAR 23, elaborada depois do golpe de 2016, que afeta o plano de saúde dos trabalhadores de estatais. Precisamos

recuperar os direitos perdidos, duramente atacados nos últimos anos”, afirma Amanda Corcino.

Outro ponto fundamental foi o pedido pelo fim das tentativas de privatização dos Correis. O coordenador do GT de Transição Paulo Bernardo disse a jornalistas, na última sexta-feira, dia 18, que o grupo técnico deve ter como uma das prioridades recomendar que a privatização dos Correios não seja feita. “Nós não podemos decidir nada sobre isso, somos uma equipe de transição. Vamos fazer um levantamento e vamos recomendar. A nossa ideia é recomendar tirar, acabar com essa ideia de privatizar os Correios. Eu poderia dizer até que a gente antevê o que o presidente pensa sobre isso”, afirmou Paulo Bernado.

Por fim, a presidenta Amanda Corcino conclui que “vamos pedir ao presidente Lula a revogação ou a retirada do PL 591, de privatização dos Correios. Em 2003 ele retirou de pauta essa tentativa de privatização. E agora, 20 anos depois, contamos com ele mais uma vez”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *