Frente parlamentar dá início à defesa dos Correios em 2019 unida à categoria

O relançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Correios foi nessa tarde (20/03) na Câmara dos Deputados. O convite dos deputados federais Vicentinho (PT-RN) e Leonardo Monteiro (PT-MG) marca a data dos 50 anos como empresa no país, com representatividade para todos os brasileiros. Também por isso, o momento é de extrema importância. Os trabalhadores, sobrecarregados, ainda têm enfrentado o discurso de privatização, cada vez mais próximo de se concretizar com as promessas do novo governo.

“Muito estranho dizer que há déficit na empresa se os Correios não gastam nem com a manutenção dos próprios equipamentos e materiais”, denunciou a secretária da Mulher do SINTECT/DF, Vitória Miguel, ao relatar o último episódio em que o veículo de trabalho, uma bicicleta, quebrou ao meio. Segundo ela, não se machucou apenas por um equipamento instalado com o próprio dinheiro.

Várias as ações da gestão da estatal sinalizam um plano orquestrado para justificar a privatização dos Correios, como observou o secretário-geral da FENTECT, José Rivaldo da Silva. Como os cortes no quadro de funcionários, implantação do DDA, extinção de cargos, fechamento de agências, entre outras.

Para o deputado Leonardo Monteiro, a empresa de Correios tem papel fundamental para os cidadãos e é necessário formular projetos pela sobrevivência da estatal, única a alcançar municípios em todo o Brasil.

Ações e combate

Na visão da presidenta do sindicato, Amanda Corcino, 2019 será um ano atípico para a negociação coletiva, quando os trabalhadores vão brigar não apenas por melhores condições de trabalho e reajuste salarial, mas também pela manutenção dos empregos e da empresa pública. “Precisamos estar bem afinados, trabalhadores e dirigentes, junto à comissão. A Frente é muito importante porque ela nos ajuda a dialogar com a empresa e com a casa (Congresso Nacional)”, afirmou.

Já passou da hora de quebrar o mito de que a empresa de Correios está quebrada. Vale recordar que há cerca de cinco anos atrás a gestão da ECT ainda pagava participação nos lucros para os funcionários. Entretanto, após a implantação da manobra do pós-emprego, começou a anunciar déficit. “Nós sabemos, pela quantidade de correspondências e encomendas que chegam todos os dias nas unidades, que é impossível não estar resultando em lucro. O grande problema hoje dos Correios é investimento”, complementou Amanda.

A Frente em Defesa dos Correios terá muito trabalho este ano. O último concurso foi em 2011, ausência de mão de obra e boa vontade dos gestores. Outro problema é a falta de fidelização do próprio governo federal com a estatal. O grupo terá que enfrentar agentes internos, no Congresso Nacional, ligados a empresas concorrentes com o mesmo papel dos Correios e que não querem abrir mão do lucro e sistemas falidos da gestão da ECT, como o DDA, que ocasiona a entrega alternada e impede que o carteiro passe diariamente nas regiões de costume.

Parceria – Outra luta a assumir será ao lado da deputada federal Érika Kokay pelo Projeto de Decreto Legislativo PDC 956/2018, que pede a revogação da resolução da CGPAR. Essa resolução inviabiliza os planos de saúde dentro das empresas públicas, portanto, ela não pode chegar a ser implementada. WhatsApp Image 2019-03-20 at 21.43.14

Além de tudo isso, Amanda Corcino lembrou a última estratégia do governo com a assinatura da MP 873, que dificulta a arrecadação e a participação do trabalhador na luta. “Mas, independente disso, vamos continuar lutando porque sabemos que o ataque não veio de graça. É o movimento sindical que está batendo na reforma da previdência e diz que não somos nós que devemos fazer sacrifícios, mas os privilegiados. Temos que cobrar dos sonegadores e não reduzir ou dificultar a nossa aposentadoria”, confirmou.

Com a Frente, toda a população brasileira poderá saber dos riscos da privatização dos Correios. A sociedade tem o direito conhecer e os trabalhadores o dever de informar a cada cidadão próximo sobre os prejuízos que virão no pacote, caso a venda da estatal seja colocada em prática: o encarecimento dos serviços e a precarização, principalmente nas periferias, já que o privado visa o lucro e não o papel social. “Não vamos nos calar e vamos estar à disposição da Frente para enfrentar esses ataques e para ajudar a manter os Correios como empresa pública”, finalizou a presidenta Amanda Corcino.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *