Iniciou nesta terça-feira (29), o XXI Encontro de Mulheres da FENTECT. O objetivo é o mesmo do 15º Encontro de Mulheres do SINTECT/DF, realizado também neste mês de maio: lutar contra o feminicídio e pela participação feminina ainda maior na política e na hora das decisões sobre os próprios direitos. O sindicato é anfitrião do evento que será realizado até esta quinta-feira, dia 31, e conta com nove delegadas representando as trabalhadoras do DF e do entorno.
A diretora de Assuntos da Mulher do SINTECT/DF, Vitória Miguel, recebeu as companheiras dos outros estados na abertura do encontro. “Temos que estar atentas aos ataques na sociedade, principalmente envolvendo questões de violência física e psicológica. Somos maioria e todas são muito bem-vindas para que, juntas, possamos retirar a nossa pauta nacional”, enfatizou.
Já no debate sobre a conjuntura nacional, a presidenta do sindicato explicou que o momento é fundamental para entender porque os Correios estão retirando os direitos dos trabalhadores. “Assim, podemos fazer uma reflexão sobre os anos após o golpe. Estamos sentindo o legado da perda de direitos, precarização das relações de trabalho, falta de remuneração, desemprego, aumento da miséria, entre outras dificuldades. Passamos a viver um estado de recessão, sem garantias individuais. Contra as mulheres, aumentam o machismo e o feminicídio, os preconceitos regionais, a intolerância, xenofobia e demais ataques às minorias também”, relatou.
Segundo dia
Na manhã do segundo dia, a palestrante Camila Marques desmistificou o relacionamento abusivo e ressaltou que, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 503 mulheres brasileiras são vítimas de agressão física a cada hora. Dessas, mais de 50% não denunciaram. “Não podemos ter como perspectiva o menos pior. Nossos relacionamentos amorosos passam por processos de dominação e competição, assim como nos ambientes de trabalho”, salientou.
Do Movimento de Mulheres em Luta do DF, Elcimara Souza enfatizou que o Brasil é o quinto país do mundo onde mais mulheres são assassinadas. “Nós naturalizamos essa realidade, mas não podemos olhar para isso de maneira isolada”, falou.
A jornalista do Paraná, convidada pela Comissão de Mulheres, Cinthia Alves, alertou a categoria feminina sobre o comportamento nas redes sociais e o que pode prejudicar o trabalhador. Por exemplo, segundo a profissional, não é permitido dar entrevistas uniformizados sem autorização da ECT, xingar ou difamar os gestores, entre outros casos que podem ser usados contra o empregado em algum processo de demissão. “O manual vale para vocês se defenderem, mas também para os gestores, para cobrá-los que cumpram os requisitos”, analisou.
O evento vai até a manhã desta quinta-feira, dia 31 de maio, com muitos temas importantes para a classe, como a reforma trabalhista e o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

