Nessa quinta-feira (24), foi realizada comissão geral na Câmara Legislativa do DF para debater a implantação da Distribuição Domiciliária Alternada nas unidades do Distrito Federal e do entorno. A pedido do deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF), a sessão deliberativa da casa foi transformada em função da importância do tema para os cidadãos brasilienses e para os próprios empregados da estatal. A representação da categoria destacou, na comissão, que foi necessária a implementação de um decreto do ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, para tornar possível a implantação do DDA, já que não foi realizada administrativamente, com o claro objetivo reduzir a atuação dos serviços de distribuição no Brasil.
“Pedimos essa audiência para explicar que, até o ano de 2013, a empresa vinha apresentando lucro e quando começou a fazer o provisionamento do pós-emprego passou a lançar um déficit. Logo, entendemos que se trata de um dado contábil e não um prejuízo de fato. Com isso, a direção dos Correios deu início aos planos de demissão incentivada, que resultou no quadro defasado em 20 mil funcionários e, mais recentemente, o anúncio do fechamento de mais de 500 agências e mais demissões de 5,3 mil funcionários”, relatou a presidente do sindicato, Amanda Corcino.
Amanda também contou sobre as más experiências com o DDA nas cidades de Cristalina e Luziânia, bases do sindicato no Estado de Goiás. Segundo ela, infelizmente o resultado não foi positivo, gerando ainda mais sobrecarga de trabalho, o aumento das doenças ocupacionais, do absenteísmo e da insatisfação dos clientes, chegando a situações de violência contra os ecetistas.
Para o secretário geral da FENTECT, José Rivaldo da Silva, a implantação do DDA faz parte de um conjunto de ataques da empresa que prejudica toda a população, a começar pelas regiões periféricas do país. “Não é apenas um problema no DF, mas em todos os estados brasileiros. O que está sendo prejudicado é o direito do consumidor, que vai deixar de contar com a entrega porta a porta todos os dias. Nosso trabalho é vender excelência e qualidade”, ressaltou.
O representante da federação esclareceu que as entidades aguardam um debate adequado na busca por soluções para todas as esferas da estatal. “A empresa deveria fazer gestão junto aos órgãos de segurança pública para entregas mais confiantes. Mas, principalmente, se não contratar mais trabalhadores, com o DDA não haverá solução porque já estamos sobrecarregados”, completou.
Relatos dos trabalhadores, na comissão, demonstraram aos parlamentares e à direção da empresa que, na prática, o sistema não funciona. A empresa não dá estrutura para a aplicação do DDA e nenhuma garantia de segurança aos trabalhadores.
Encaminhamentos
A representação dos trabalhadores propôs , então, que seja lançada uma medida com base no Código do Consumidor para barrar o DDA e impedir que a população seja ainda mais prejudicada, além da situação dos trabalhadores. O deputado Chico Vigilante, como proposta, sugeriu a produção de um seminário para debater o sistema antes da implantação nas unidades.
Destaca-se que os ecetistas estão pagando caro pelo sistema de falência pública dessa empresa de mais de 300 anos, a qual temos orgulho de prestar serviços, embora a direção promova extinção de cargos e tente a todo custo reduzir o quadro de funcionários. As evoluções que a empresa diz que lança, ainda muito lentas, deveriam ser humanizadas. Não há sensibilidade com a categoria.


